27 de abril de 2010

Você é Mestre ou Doutor?... Ah não? Então rua!!!

Ontem cliquei em um link que chegou até mim via twitter, e quero compartilhar aqui o texto na íntegra. Concordo com cada palavra... A fonte está no final.


A crise está produzindo alguns efeitos magníficos, que ninguém planejou. Belezas do capitalismo: milhões de pessoas fazendo escolhas independentes e produzindo efeitos que ninguém previu.

Muitos profissionais que perdem empregos nos Estados Unidos estão virando professores. Isso mesmo. Contadores vão para as escolas ensinar, depois de muitos anos com a mão na massa. Projetistas vão para escolas e faculdades ensinar desenho industrial e por aí afora.

Se perdessem os empregos, dois meninos maluquinhos que resolveram cair na vida, em vez de virar acadêmicos, poderiam ir dar aulas. Muitas universidades receberiam Bill Gates (Microsoft) e Steven Jobs (Apple) de braços abertos. Acredito que haveria uma enorme disputa entre as melhores universidades para ver quem conseguiria levar qual.

No Brasil, como professores, bateriam com o nariz na porta.

Como nenhum dos dois tem mestrado ou doutorado, não valem nada para qualquer universidade brasileira. O Ministério da Educação não os reconhece. Um profissional fantástico sem mestrado ou doutorado é proibitivo para uma universidade brasileira.

Cirurgiões que foram dos bancos da escola para as salas de operação não poderiam lecionar em faculdades. Sua experiência avançadíssima vale zero.

Não passaram pelos rituais de iniciação: gastar tempo escrevendo dissertações. Estão fora. Graças ao MEC, no Brasil, vigora o "quem sabe faz e quem não sabe ensina."

Simon Schwartzman, especialista em educação superior e pós-graduada, disse numa entrevista (Veja 2059, 7 de maio de 2008): "O professor [brasileiro] participa de um congresso ou publica um artigo numa revista que ninguém lê." Em outras palavras, os professores brasileiros passam a vida fazendo imensos esforços para ter impacto zero no desenvolvimento da ciência, da tecnologia e das políticas públicas.

Parece anedota, mas não é. Criou-se um clube de amigos que publicam em revistas nas quais, não raro, o intervalo entre o término de uma pesquisa e sua publicação pode ser de até 4 anos. Só essas revistas são reconhecidas. Outras mídias (jornais, revistas, TV) de nada valem, ainda que possam ser lidas por milhões de pessoas. Isso em tempos de Internet.

Nikola Tesla (o inventor da geração de corrente alternada que move o mundo) não teria emprego em nenhuma universidade brasileira. Dificilmente conseguiriam publicar um artigo em revista Qualis (esse é o codinome das revistas que o MEC reconhece).

Na Universidade de Chicago, a maior ganhadora de prêmios Nobel (79 ao todo, 27 em Física e 25 em economia), é possível entrar sem jamais ter ido para a escola, qualquer escola. Lá, o principal critério para contratação de um professor de economia é o potencial para um prêmio Nobel. A universidade sabe que cada prêmio Nobel é um pote de mel para atrair alunos, doações e outros bons professores.

Recentemente, na feira de ciências de uma escola secundária na área de Boston, em Massachussets, um adolescente de 16 anos apresentou um trabalho da maior relevância para a saúde pública no Brasil: descobriu que o vírus da hepatite C e o vírus da dengue são primos próximos. Este atalho pode economizar muitos anos na descoberta da cura da dengue (sabendo que os vírus são primos próximos podem-se usar muitos conhecimentos já avançadíssimos sobre o vírus da hepatite C, para a dengue).

O caminho até a cura da dengue ainda é longo, mas será muito mais curto do que sem a descoberta.

No Brasil, ninguém o levaria a sério porque ele não tem idade nem para poder entrar para uma faculdade, como, de resto, não levaram o Portellinha, sobre quem comentei n’O Estadão em "Deixem o Portellinha estudar em paz," (O Estado de São Paulo, 12 de março de 2008, pág 2). Apesar de aprovado no vestibular de direito com sete anos de idade, Portellinha foi impedido, pelo lobby da OAB e pela lei, de entrar para a universidade.

O interesse dos burocratecas do MEC está em formalidades e papelório.

O currículo oficial do CNPq registra minúcias da vida de professores que me lembram o que meu amigo Lorenzo Meyer, historiador mexicano, chamava de ridiculum vitae.

Qualquer atividade acadêmica exige um papel assinado por alguém atestando que aquilo é verdade. Vou além de Simon: o pouco tempo que sobra de tentar publicar artigos que não serão lidos por ninguém é consumido correndo atrás de papelório inútil.

Tomara que Bill Gates e Steven Jobs não percam seus empregos, pois poderemos continuar a curtir nossos produtos Microsoft e nossos Macs e iPhones.

No Brasil, Bill Gates e Steven Jobs não teriam tempo para inventar nada. Perderiam seu tempo correndo atrás dos certificados que os legitimaria perante a burritzia nacional.

As invenções, ora, as invenções... são coisas de gringo... Aqui basta uma política industrial para dar dinheiro aos amigos do rei.

Quando a lei e os oligopólios de proteção profissional impedem o progresso de alguém porque não passou pelos rituais de iniciação, fica mais fácil entender porque o Brasil não tem nenhum prêmio Nobel, em nenhum campo.


O autor do texto é Alexandre Barros é cientista político (PhD, University of Chicago) e diretor-gerente da Early Warning: Políticas Públicas e Risco Político (Brasília - DF), além de colaborador regular d’O Estado de São Paulo. Ele pode ser contactado em alex@eaw.com.br.
Publicado em http://www.ordemlivre.org/node/970

25 de abril de 2010

Encontro dos Twitteiros Culturais de Cascavel #ETC_Cascavel

Na tarde insosa de ontem foi realizado no laboratório de Radios da Univel o #ETC_Cascavel.
O convite e divulgação, como esperado, foi feito via twitter.

Ao mesmo tempo que acontecia aqui em Cascavel, em todo o País também diversos encontros entre twitteiros culturais eram realizados.

Em São Paulo ( ETC_Sampa ) tivemos até a ilustre presença do secretário da educação, participanto ativamente do encontro por lá.
Em Curitiba também ouve grande movimentação, inclusive precisando reservar ingresso pra estar presente fisicamente...
E assim seguiu por todo o país. Mais informações sobre em http://etcbrasil.com.br.

E todos os encontros tiveram a mesma pauta. O tema lançado foi "Brasil, Educação e Escola - O que nós como rede podemos fazer para contribuir?"


A discussão seguiu por uma linha bastante interessante, com relatos de experiências e perguntas lançadas para curtas reflexões e respostas imediatas.

Estiveram presentes (de corpo presente, rsrs) @sirocanabarro @asfelix @gpupo @ermerhsilva @jeanmoretto e eu, @elderes.
Mas a interatividade foi bastante positiva, contribuindo o tempo todo o@Jgonzatto @sidgley entre outros, destacando os outros ETCs pelo Brasil.

Finalizo indicando um vídeo que o @sirocanabarro sugeriu no encontro:




Agora é esperar o próximo. Valeu mesmo.

10 de abril de 2010

Primeiro mês de aulas no mestrado

Ontem, dia 09/04, completou um mês do início das aulas do mestrado.
É claro que o mestrado em si começou bem antes... inscrição, escrita do projeto, pesquisa de áreas e interesses, processo de seleção, matrícula, entre outras fases. Mas aulas de fato, interação professor-aluno, iniciamos em 09 de Março.

Fazendo um cálculo aproximado, só para aulas já viajei uns 4700Km, entre idas e vindas. No dia sempre faço algo perto de 590 Km.

Esta impressão inicial tem sido ótima.
A infra-estrutura que a UEM oferece é excelente. Não há como dizer o contrário.
Conheço todas as faculdades particulares de Cascavel e também a Unioeste, onde me formei e leciono. Posso afirmar seguramente que a UEM se compara às particulares daqui na questão de infra-estrutura, mesmo sendo pública, estadual.
O bloco E56 que é onde fica o DIN (Departamento de Informática) foi inaugurado final do ano passado. Somos a primeira turma a usá-lo de fato. Esta semana estavam instalando o elevador. São 3 andares enormes. Neste bloco se concentra todo o DIN, que compreende as graduações de Ciência da Computação e Informática (os dois bacharelados), uma especialização em Desenvolvimento de Sistemas para Web e o Mestrado em Ciência da Computação.

Este bloco tem vários laboratórios (das mais variadas áreas), salas de projeção, auditórios, salas de aula, secretarias individuais (graduação e pós-graduação), centro acadêmico, copa e cozinha, banheiros melhores, mais organizados e limpos que de algumas instituições particulares que conheço, bebedouros, etc. etc.

Recebi alguns comentários e até email sobre pessoas que irão frequentar este espaço para saber mais do programa de mestrado da UEM. Vou postar coisas de lá sempre...

Para saber mais sobre o Departamento de Informática (DIN), acesse: http://din.uem.br/

5 de abril de 2010

Aprisco 11

De volta à rotina, depois do feriadão prolongado.
No meu caso, começou já na quinta-feira, ou seja, 4 dias completos de uma merecida folga.

E nestes dias todos estive em um retiro, já em sua 11a. edição, em uma chácara que fica entre Cascavel e Toledo.
Fomos para lá oficialmente às 21h de quinta-feira. Digo oficialmente pq. já tinha ido pra lá após o almoço, ajudar com os equipamentos de som, carregar apetrechos, etc. etc.
Foram dias muito bons. Estivemos em aproximadamente 110 pessoas, numa comunhão, amizade, companheirismo excelentes. Como é bom ter amigos.
Houve também estudos teológicos excelentes, com um palestrante vindo da capital do nosso estado, Curitiba.
Momentos de gincana onde 4 equipes competiram entre si. Mais uma vez a equipe onde eu estava, "Ebrom Laranja", ganhou, hehe..
Entre estudos e gincanas, havia o tempo livre, onde o futebol foi indispensável.
Ponto positivo também para a equipe da cozinha, comandada pelo chef Fumaça. Eu só o conhecia de o ver na televisão, em programas locais. Mas tá aí um camarada que indico para seu evento... o cara e sua equipe cozinham muito! São feras mesmo!
Madrugadas em claro rindo e falando besteira.. a tradicional serenata no quarto das mulheres... fortalecimento da amizade, ...
... retiros assim deixam mesmo saudades. Já está dando um vazio pq. acabou.

Agora é esperar o Aprisco 12.
Já estou na espectativa.